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Lá vem o Sol

Ele pode trazer benefícios ou prejuízos à sua saúde. Você escolhe com qual quer ficar

O sol é um poderoso aliado da nossa saúde. Ele traz sensação de bem-estar, funciona como antidepressivo natural e ativa o processo de absorção da vitamina D, importante para o fortalecimento dos ossos e para evitar a osteoporose. Mas, para usufruir todos esses benefícios, é preciso servir-se dele em doses moderadas. "O correto é tomar sol somente até as 10h da manhã e após as 4h da tarde (ou, no horário de verão, após as 5h). Esse hábito, uma vez por semana, já é suficiente para ativar a absorção da vitamina D", afirma a dra. Maria Paula Del Nero, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, em São Paulo.

Mas não é assim que milhares de brasileiros curtem as férias de verão. O que se vê é aquele enorme contingente de pessoas chegando à praia ou ao clube no horário em que deveriam estar voltando para casa. Os dermatologistas não aprovam esse comportamento e fazem recomendações que precisam ser levadas a sério. Do contrário, a saúde pode ser gravemente exposta a riscos como o de queimaduras solares, envelhecimento precoce da pele, surgimento de manchas, alergias e câncer de pele (o tipo de maior incidência no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer - Inca).

O primeiro alerta é sobre o uso de filtros solares, que precisam proteger contra os raios UVA e UVB, tipos mais prejudiciais à pele (veja quadro ao lado). Os filtros são altamente recomendáveis, inclusive, para passeios no dia a dia na cidade. A dermatologista de Campinas e especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, dra. Claudia Magro Issa, explica que a radiação solar é cumulativa ao longo da vida e que, geralmente, as pessoas atingem o seu limite até os 30 anos de idade. "Depois disso, o excesso de radiação passa a ser nocivo", afirma. Ela explica também que os raios UVB são perigosos porque conseguem penetrar na epiderme, podendo provocar alteração celular e câncer de pele. Já os UVA estão relacionados ao fotoenvelhecimento e ao surgimento de manchas e rugas. Daí a importância da dupla proteção pelo filtro solar.

Mas, por mais alto que seja o Fator de Proteção Solar (FPS), não basta aplicar o produto uma única vez e esquecê- lo dentro da bolsa. "Ele precisa ser reaplicado a cada duas horas no mínimo ou sempre que sair da água", reforça a dermatologista. A transpiração também pode levar o produto embora. Fique de olho e, na dúvida, reaplique. Outra recomendação seriíssima para aqueles que gostam de passar longos períodos sob o sol é permanecer de boné ou chapéu o tempo todo (pessoas calvas, principalmente), para proteger o couro cabeludo, que, embora muitos não lembrem, é pele e também é suscetível ao câncer. O mesmo vale para os lábios. De acordo com Maria Paula Del Nero, "o protetor labial ajuda a evitar rachaduras e a proteger contra o câncer".

Por fim, ficar sob o guarda-sol é outro recurso válido. Dê preferência aos de pano, que deixam passar menos raios que os de náilon.

UVA e UVB

Até há cerca de dez anos acreditava-se que os raios UVB eram os que mais danificavam a pele, por isso os filtros antigos protegiam somente contra esse tipo de radiação. Hoje em dia sabe-se que os UVA também são prejudiciais. Ambos referem- se a comprimentos de onda, sendo que os UVB são raios médios (de 280 a 315 nanômetros*) e os UVA, raios longos (de 315 a 400 nanômetros).

*Unidade de medida que corresponde a 1 bilionésimo de 1 metro

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